sábado, 22 de outubro de 2011

ORNITÓLOGO ( wikcionario dicionario filosofico etimologia enciclopedico onomastico etimologico )

Já viu um pássaro
voando em solitude
- que parece solidão!
no quão similar é
o clamor de sua vocalização
aflito e aflitivo
ao chamado angustiado
angustiante de um homem
quando solitário
procurando companhia
( em Companhia de Quero-queros
ou Companhia de Jesus! )
- ou senão de alguém mui querido
mais querido que o quero
onomatopaico e tautológico
emitido pelos Quero-queros
- procurando desesperadamente
o amor que de se perdeu
em um filho ou esposa
enamorada ou noiva?!...

Já ouviu uma ave
penando na solitude
numa penúria
que até parece
solidão humana
- a grande dor moral!
que aflige a humanidade?!...

Já ouviu ave assim
desesperada
a tocar suas cordas na garganta
- seu violão
seu violino
sua harpa...
- suas cordas vocais
em melancólicos harpejos
nas cercanias da elegia
que sobe em sebe?!

Já teve pena
dessa ave em pena
quase uma alma penada
depenada no grito?!

Pensou na pena a cumprir
- nesta vida
coberta de penas?!... :
- nesta vida
de ave depenada
do homem descoberto
- nu no frio?!...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"ALGUMA POESIA" EM DRUMMOND ( wikcionario enciclopedia carlos drumond andrade)


A bola azul do Raul
- azul também o Raul
que amava e chutava a bola
até o céu azul
outrossim azul o céu
ou a rolava mansamente para um violinista azul
um outro azul
dependurado no cacho celeste
cacho azul
da ave do paraíso
e da árvore do paraíso
plantada no jardim edênico
ou das Hespérides...;
a bola azul do Raul
era apenas bola rolando
dentro do livro de poemas para infância
de Cecília Meireles!

Era e é bola
ao ser o que é o tempo :
ato e fato presente
não assente e ausente no verbo
no seu arrasto ao pretérito
ou futuro inexistentes
- meras essencialidades funestas à vida!

O tempo real é sempre presente
quando não há verbo a intermediar
essência e existência
cindindo o natural do artificial
a física da metafísica
quando natural e não artificial
diverso do tempo enquanto invenção humana
matemático ou poético ou filosófico
- tempo em signos e símbolos
em palavras e frases ou em desenhos
gráficos e aparelhos medidores:
barômetros ou espectômetros ou sismógrafos...

A bola do jogo
era para ser jogada ali
naquela quadra de poemas
o de antologias
entre "isto ou aquilo" de poesias
pois isso era o que propugnava realizar a obra poética
com a poesia a perpassar a quadra da infância
leve levada e lavada
qual asas de mariposa na chuva
numa brisa eivada de odores os mais variegados
mormente os cheiros que chuva carreia
da terra ressequida
em seu aroma de alma
quando a água abençoa a terra batizada
com o milagre e mistério da vida
a evolar no ar as melhores fragrâncias
captadas pelo aparelho olfativo
ou isto ou aquilo que o olfato cobriu ao vivo
e que exalava alma de criança
no tempo da criança
tempo de atos sem fatos
( sem os fatos que temperam com um travo amargo
a percepção e sensibilidade dos adultos )
- dias infinitos e inenarráveis
o tempo em ato da criança
não susceptível de análise
ou de ciência alguma
fato algum
somente de "alguma poesia" em Drummond
abundante e luxuriante pensar vegetativo
- pensamento de poeta e filósofo

Entretanto a bola envolta na teia da poesia
acabou escapando da obra poética
ao ser chutada sem chuteiras "com travas"
para fora do mundo poético
encontrando e incorporando-se à bola real
nos pés pequeninos do meu neto
- numa ação transcendente e imanente simultaneamente
que foi do ficto ao facto
em subsunção de ato e fato
abstrato e concreto
essência e existência...
a se encontrar fora da lógica
em função escatológica

A bola na poesia da infância inteira
era do Raul de Cecília Meireles
Passou a vida toda com Raul
ou a poesia inteira com Raul
um menino de ficção
menino abstrato
- criança em poesia
ser na inexistência que separa o ser do ente
a existência da essência
numa ponte ou pontilhão
sem pontífice que a ligue
à liga da Ligúria
ou às ligações iônicas ou moleculares
as quais estão produzem a liga metálica
dos metais e semimetais e não-metais
com suas propriedade em ponto de fusão...
enfim, no enlace químico!
( A infância guarda os símbolos arcanos
os arquétipos de Jung :
O símbolo de Midas
ao transformar tudo em ouro
outrossim símbolo da alquimia e do alquimista
com o que sonha até hoje a ciência sonolenta
também o símbolo da fênix
de vida eterna
expectativa de "vida" cristã!
Aliás, a infância produz todo o simbolismo
que posteriormente utilizamos
na linguagem e no sonho
para acordar a realidade
ou fazê-la dormir sempre
- sob um berceuse )

Sem embargo do ponto de fusão
estar na química ou na alquimia
ou mesmo na intersecção geométrica
da química com a física
ciências limítrofes
o que importa é o que rola com a bola
e que agora a bola é do meu neto
( comprei-a para fluir em equações elipsóides!...)
- um menino de fato
com face de fato
e cheio de energia e atos
apto para constituir infindáveis fatos
no puro ato de ser menino
passando e correndo
com o tempo como pano de fundo
agarrado ao espaço tal qual erva em raiz à terra
que chega a feder na erva morta após capina
no cheiro verde do cheiro-verde em molho na feira do arrabalde
- odor abaixo e mui acima do azul celestial
paradoxalmente no cimo e ao rás do chão
aonde deitam as ervas
e onde está estático o ovalado corpo de anil
em sintonia cromática com o violinista azul
e o violinista verde
dois gênios da natureza
faunos reais
apascentando e pastoreando a erva do campo
a daninha dona da terra
que cobre todo o solo
- até solo de clarinete
oboé ou violino composto em melodia de Mendelson
e os lírios campesinos
que amarelam o ouro vital nos vales...

A bola de Raul
era avistada e identificada
no espectro do azul
na abóbada celeste
que se curvava drasticamente para o côncavo
num amplexo com parte da boda do menino
na mesma proporção áurea da circunferência
porém não no mesmo tamanho
ou no fechar cerúleo
cuja abóboda é uma bola
apenas no abobadar
mas não no fechamento integral do círculo
não na concavidade hermética do céu
debuxando um "Stradivarius"
para o rito do solo ao sol
de arrebol a arrebol!!!
( A abóbada celeste é um semi-círculo
com "pi" radiano irradiando o raio do rádio
cuja perspectiva refoge aos olhos
e não fecha no anil
nem tampouco no encontro das águas
entre os olhos e o azul
com fundo branco de garça branda
esgarçada no desenho natural
levando em si a névoa da distância
que separa os olhos num nevoeiro
- um nevoeiro é o olhar! )

A bola que era um ato de abstração poético-filosófico
ou nesta perspectiva filosofante
transforma-se em fato
aonde se cava o anfiteatro
( cava com veia cava... )
- cava com unhas e dentes!
o anfiteatro para o menino jogar
o melhor e mais belo futebol
oriundo do maior jogador de todos os tempos
nascido na terra
que foi Pelé
homem que tornou o futebol significativo...
pô-lo entre os significados humanos
com a perenidade de um monarca sereno e hábil
a chutar a bola do menino
que medrou nele
e no seus atos de atleta majestático

Todavia é o jogo do menino
e não o de Pelé
que marca o gol na vida!
porquanto o futebol quase solitário do menino
é uma iniciação de Pelé
- é um correr empós o círculo
e o ciclo que se esconde arquiteta
na semi-circunferência do domo
algo rotundo e sólido na engenharia

O jogo do menino
- meu neto menino
é uma corrida de atleta do século
para a próxima Copa do Mundo!
- no Brasil de Pelé
anunciada pelo verbo
anjo da anunciação do futuro
- profeta quando os pés plantam-se na terra
com raízes de ervas a árvores frondosas

Não obstante a tecnologia
- a indústria que faz a bola
para uma Copa do Mundo
- antes do pensamento industrial
e do pensamento livre que cria a bola
ou a copia das esferas
quem faz a bola é o menino!
- O menino é quem faz a bola
com seu chute
ao rola-la lá no lar
para longe de si
fazendo ouvir a percussão no ponta-pé
que acha a matéria redonda
a qual, muito mais que mero símbolo ou alegoria,
é um exercício de vida
que tem mais viço de erva e fauno na quadra infantil

É o menino quem faz a bola
e não seu inventor
não o inventor da bola!
É outrossim o menino quem faz Pelé
não os inventores do futebol!...,
- mas o menino que passará à puberdade
e à maturação plena
depois de viver uma existência
em vigor supremo e originário de criação
perto das mãos do criador
- um deus-ferreiro ao sol
com o menino na forja
e o homem mutilado
sem a vida eterna em corpo de criança
porque era no corpo do infante
que ostentava e cria na vida eterna
pois a criança pé eterna
está alijada da temporalidade mesquinha
e da depressão na vala comum da morte
- um túmulo ou cova rasa
encetada na vida do velho
quase despido de corpo
e com alma fina
graças às perdes fluídicas
de um mar salgado na infância
para um pobre arroio na senectude
( A vida eterna da criação e do criador
age através das funções regenerativas e criativas
que estão no corpo da criança
- o fauno que se completará com o sexo na puberdade
pois é a criança que se cria
- a criança é a criadora de si em seu corpo
consoante diz a própria palavra "criança"
Não obstante velhice ou degenerescência
não está vinculada á idade
porém à doença ou à saúde plena )

O homem é morto
- mais que morto!
obedece a mortos

O menino é vivo
e eterno
desbanca o silogismo
que "mata" Sócrates
homem e mortal

Quando a bola do menino está parada
quieta num canto do chão
não é cantochão!, não! :
- apenas assinala
que o menino
no seu canto vocal
não gritou entusiasmado : "bola!"
e depois a chutou solenemente
como sói na infância
- primeira vida
primeira alma
e quem sabe não seja a única
vida e alma liberta...:
sem as peias da escravidão social
que grassa em peste maligna
cada vez mais
- mais que mar
por toda parte
em endemia e epidemia
quiçá pandemia
originária do legado da Inquisição espanhola
e da Peste Negra
que assolou a Europa medieval
- sempre graças à estupidez humana
( Atualmente talvez sempre
o ser humano é a maior praga da terra
e de malignidade magna )

A bola do menino só fica parada
se o menino não a tocar
com sua infância
maravilhosa

( Até parece que a infância do neto
é duas vezes a infância
do filho e da filha!
Mas não é não
- não é mais mar nem amar
mais mar ainda
nem tampouco "amarte-te" Vênus
até em Marte
pela causa que leva ao martírio!
Simplesmente a vida é mais intensa
do que a mera memória
A vida é paixão no ato
cristal ou gelo no fato
porquanto o fato está no verbo
e o ato na vida )